{"id":2688,"date":"2026-05-28T10:21:34","date_gmt":"2026-05-28T13:21:34","guid":{"rendered":"https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/?p=2688"},"modified":"2026-05-28T10:21:34","modified_gmt":"2026-05-28T13:21:34","slug":"a-veladura-e-a-expansao-da-gravura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/a-veladura-e-a-expansao-da-gravura\/","title":{"rendered":"A veladura e a expans\u00e3o da gravura"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Suzana Azevedo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ojos de dentro que ven desde la nada para acceder a las zonas m\u00e1s profundas y abisales del alma humana. Esta mirada interna se transforma en tactilidad externa.<br \/>\nT\u00e0pies y la ceguera, Pilar Parcerisas<\/em><\/p>\n<p>Para falar da verdade da obra de arte, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o concordar com Heidegger quando nos ensina que o desvelar, ou seja, o revelar, o mostrar, n\u00e3o pode acontecer sem o velar, sem o ocultar. Para o pensador alem\u00e3o, o ser se mostra ao mesmo tempo em que se esconde.<\/p>\n<p>Negar a inter-rela\u00e7\u00e3o que \u00e9 presente entre o concreto e o abstrato quando se trata do processo e da frui\u00e7\u00e3o art\u00edstica equivale a tirar as lentes de uma pessoa que delas precisa para ver. N\u00e3o se pode deixar de considerar que a veladura, como instrumento t\u00e9cnico ou conceitual, est\u00e1 na natureza do ser-obra-de-arte.<\/p>\n<p>A gravura, que nasceu como um instrumento de t\u00e9cnica exata e com a miss\u00e3o de repetir para propagar ideia e ideal, viu sua imprescindibilidade cair no ostracismo, devido \u00e0 chegada da t\u00e9cnica e da virtualidade. Sua utilidade n\u00e3o mais seria para os fins originais, mas cresceu sua import\u00e2ncia na arte.<\/p>\n<p>Hoje, eu considero a gravura como uma t\u00e9cnica rica em reflex\u00f5es filos\u00f3ficas amparadas no seu princ\u00edpio maior, que \u00e9 o espelhamento, e em possibilidades concretas para uma din\u00e2mica nova na constru\u00e7\u00e3o de imagens.<\/p>\n<p>Todo nosso conhecimento deve se manter ref\u00e9m de uma possibilidade de n\u00e3o conhecimento para que, na possibilidade do novo, flores\u00e7am a for\u00e7a da criatividade e a satisfa\u00e7\u00e3o de equacionar, sob novos processos, uma gravura que agregue mais uma faceta \u00e0s classifica\u00e7\u00f5es da imagem de que nos fala Georges Didi-Huberman, que nos venha uma imagem livre do rigor e complacente com o que extrapola os limites.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o sobre a expans\u00e3o da gravura agrega o pensar sobre o princ\u00edpio do palimpsesto, ent\u00e3o senti a necessidade de usar defesas para mostrar as primeiras camadas na constru\u00e7\u00e3o da monotipia. A sobreposi\u00e7\u00e3o modifica a imagem, mas n\u00e3o esconde as primeiras batidas.<\/p>\n<p>O caminho que sigo na minha po\u00e9tica considera n\u00e3o somente a interven\u00e7\u00e3o, mas eu tamb\u00e9m estou atenta \u00e0 voz do suporte. Nesse sentido, o suporte de que me valho tem origem no descarte de todo tipo de pap\u00e9is e de papel\u00f5es, o LMais. Ele se comp\u00f5e da mem\u00f3ria advinda dos seus antigos usos e da textura das fibras que o constru\u00edram.<\/p>\n<p>O trabalho que fa\u00e7o me gratifica pela transgress\u00e3o que exer\u00e7o nas regras e pelo resgate que fa\u00e7o do descarte, que \u00e9 um dado transgressor da sa\u00fade do planeta.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o um trabalho que tem via de m\u00e3o dupla. Com 26 anos de arte voltados para as quest\u00f5es aqui colocadas, trabalho arduamente para a interioriza\u00e7\u00e3o da arte. Caminhar no sentido do interior do Estado de Pernambuco, levando essas premissas para serem pensadas e exercidas junto \u00e0s comunidades carentes de integra\u00e7\u00e3o cultural tem sido uma pr\u00e1tica no meu caminho. O prazer de compartilhar essas inquieta\u00e7\u00f5es sobre quebra de padr\u00f5es com pessoas que s\u00e3o virgens de condicionamentos de qualquer equipamento cultural \u00e9 sentir que o v\u00e9u, necess\u00e1rio ao processo de desvelamento da verdade da obra de arte, come\u00e7a por agregar fazeres livres de tutelas ou de c\u00e2nones. Estou dedicando este ano de 2026 \u00e0 retomada do processo de interioriza\u00e7\u00e3o da arte e ao desvelamento da forma\u00e7\u00e3o da imagem em sua independ\u00eancia t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m neste ano, tornarei fixas, outra vez, as instala\u00e7\u00f5es da Oficina do Tempo, espa\u00e7o que pretende acolher a pesquisa e o compartilhamento com grupos que nutram o interesse pela ressignifica\u00e7\u00e3o e pelas t\u00e9cnicas de impress\u00e3o como caminho para conceito e resolu\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica da minha po\u00e9tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Suzana Azevedo Ojos de dentro que ven desde la nada para acceder a las zonas m\u00e1s profundas y abisales del alma humana. Esta mirada interna se transforma en tactilidad externa. 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