{"id":2510,"date":"2026-05-21T11:00:34","date_gmt":"2026-05-21T14:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/?p=2510"},"modified":"2026-05-25T17:02:40","modified_gmt":"2026-05-25T20:02:40","slug":"mulher-ditadura-e-memoria-o-brasil-nao-conhece-seu-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/mulher-ditadura-e-memoria-o-brasil-nao-conhece-seu-passado\/","title":{"rendered":"Mulher, ditadura e mem\u00f3ria: o Brasil n\u00e3o conhece seu passado"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Paulo Andr\u00e9 Leit\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos n\u00e3o \u00e9 um estreante. Conhecido por seu olhar afiado na cr\u00edtica liter\u00e1ria, mais de dez anos depois de seu primeiro livro, o poem\u00e1rio <em>Muito antes da meia noite<\/em> (Confraria do Vento, 2015), lan\u00e7a agora pela Patu\u00e1 <em>Mil novecentos setenta cinco<\/em>, sua chegada ao romance como um furac\u00e3o, em uma narrativa na qual o sil\u00eancio \u00e9 parte da estrutura.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, ele nos fala do processo de constru\u00e7\u00e3o da protagonista e narradora Marina, uma mulher que enfrenta as viol\u00eancias da ditadura e que desde o come\u00e7o conhece seu final tr\u00e1gico. Como o pr\u00f3prio Cristiano define, o t\u00edtulo do livro \u00e9 mais que uma data: funciona como uma contagem regressiva. \u201cContagem essa que jamais terminou.\u201d<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Por que voc\u00ea escolheu uma mulher como protagonista de <em>Mil novecentos setenta cinco<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 N\u00e3o planejei ter uma narradora. Mas o primeiro protagonista, homem, simplesmente n\u00e3o funcionou. Al\u00e9m da sensa\u00e7\u00e3o de que faltava algo, ele parecia demais comigo (pelo menos era isso que eu sentia). Ao mudar o g\u00eanero, ao \u201ccriar\u201d a Marina, tudo fluiu. As pe\u00e7as n\u00e3o s\u00f3 se encaixaram, elas ganharam for\u00e7a, enriqueceram o enredo de uma forma que n\u00e3o seria poss\u00edvel com um personagem masculino. Em dois fins de semana, o livro estava pronto. Sa\u00ed desse processo com a convic\u00e7\u00e3o de que, pelo menos nos textos em prosa, eu consigo render bem mais quando me imponho essa dist\u00e2ncia, esse exerc\u00edcio de alteridade.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Voc\u00ea teve receio, por ser um homem escrevendo sobre uma personagem feminina?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Com certeza. Pensei que eu me expunha ao risco n\u00e3o s\u00f3 de ser criticado, como tamb\u00e9m cancelado. Lembrei-me, ent\u00e3o, de uma fala do escritor Jefferson Ten\u00f3rio, para quem um autor branco s\u00f3 deve optar por narradores negros se for algo realmente essencial \u00e0 obra, uma escolha incontorn\u00e1vel. Creio que vale o mesmo para a representa\u00e7\u00e3o da mulher. Mas, veja bem! N\u00e3o estou ditando regras, \u00e9 s\u00f3 o meu modo de lidar com o assunto.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 A situa\u00e7\u00e3o das mulheres que lutavam contra a ditadura era muito diferente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dos homens.<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Muito. A come\u00e7ar pelo sentimento de solid\u00e3o. Al\u00e9m de serem minoria, elas enfrentavam a falta de confian\u00e7a de muitos dos seus companheiros de luta. Havia sempre a suspei\u00e7\u00e3o. Elas seriam capazes de cumprir os treinamentos, de executar as miss\u00f5es que lhes fossem designadas? Ao serem presas, suportariam pelo menos 24 horas de tortura, para que os militantes do grupo, do lado de fora das grades, percebessem a situa\u00e7\u00e3o e tivessem tempo de desmobilizar aparelhos e fugir?<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 E a viol\u00eancia do regime contra as mulheres era maior&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Bem maior. Logo na chegada aos por\u00f5es, era comum que fossem deixadas nuas. E a nudez imposta a elas tinha um impacto muito mais forte, assim como o modo como eram tocadas, como seus corpos eram invadidos, transformados em v\u00e1lvula de escape para um \u00f3dio que ia muito al\u00e9m da simples repress\u00e3o a opositores do regime. \u00c9 muito comum, nos depoimentos de mulheres que sobreviveram \u00e0quele inferno, afirma\u00e7\u00f5es do tipo: \u201cEles nos olhavam e tocavam de forma muito diferente, com muito mais ressentimento, raiva, nojo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Como voc\u00ea explica a presen\u00e7a de tantos espa\u00e7os em branco, de tantos sil\u00eancios na narrativa, apesar de a hist\u00f3ria se passar basicamente em sete dias?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Uma das coisas que pensei foi: n\u00e3o vou usar mon\u00f3logos intermin\u00e1veis, p\u00e1ginas e p\u00e1ginas seguidas de fluxo de consci\u00eancia. N\u00e3o combinava com o momento da personagem, nem causaria nos leitores o efeito que eu desejava. Porque imagina essa protagonista, voltando do ex\u00edlio e novamente na clandestinidade, escondida numa kitnet, sem saber o que seria da sua vida, da milit\u00e2ncia (ap\u00f3s a luta armada ter sido aniquilada j\u00e1 nos anos anteriores)! E precisando comer, cuidar da sa\u00fade, estar atenta a tudo em seu redor!<\/p>\n<p>Se n\u00f3s mesmos, em nossas vidas t\u00e3o menos agitadas, n\u00e3o conseguimos nos prender a uma mem\u00f3ria ou reflex\u00e3o por tanto tempo, se a todo instante algo interrompe os nossos pensamentos, por que com essa personagem (em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o prec\u00e1ria) seria de outra forma?<\/p>\n<p>Optei, ent\u00e3o, por breves passagens entre muitos sil\u00eancios. E, nestes espa\u00e7os sem texto, o leitor pode at\u00e9 se tornar mais pr\u00f3ximo da Marina, imaginando o que ela teria feito, pensado e sentido durante os intervalos da narrativa. Umberto Eco dizia que o romance \u00e9 uma m\u00e1quina pregui\u00e7osa, que deixa boa parte do seu trabalho para os leitores. Digamos que o meu livro \u00e9 um tanto a mais!<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Voc\u00ea falou de fluxo de consci\u00eancia. Lembrei-me de Clarice Lispector. Al\u00e9m de cit\u00e1-la, voc\u00ea colocou uma barata em cena.<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Sim. E tem um lance muito sutil, mas que considero relevante: todas as refer\u00eancias masculinas que aparecem s\u00e3o, em maior ou menor grau, impostas \u00e0 personagem. At\u00e9 os tr\u00eas \u00faltimos livros que ela l\u00ea na vida, todos publicados no Brasil naquele 1975 (<em>Zero<\/em>, de Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o; <em>Dentro da noite veloz<\/em>, de Ferreira Gullar; e <em>Lavoura Arcaica<\/em>, de Raduan Nassar), foram deixados na estante por um homem. Ela n\u00e3o os escolheu.<\/p>\n<p>J\u00e1 as mulheres citadas ou referenciadas no romance (cineastas, cantoras, escritoras etc.) s\u00e3o mem\u00f3rias espont\u00e2neas, carregadas de afeto, de significa\u00e7\u00f5es \u2014 e sempre com uma radical corporeidade, que \u00e9 algo muito forte nas mem\u00f3rias, reflex\u00f5es e produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas das mulheres.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Voltando ao sil\u00eancio, ou melhor, aos sil\u00eancios, e tamb\u00e9m lembrando os bilhetes deixados para Marina (escritos numa m\u00e1quina de datilografia com teclas a menos), como foi trabalhar isso em termos gr\u00e1ficos?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Eduardo Lacerda, editor da Patu\u00e1, optou por um formato maior para o livro e diagramou as p\u00e1ginas de forma a amplificar esses sil\u00eancios. Ele realmente dedicou muito carinho \u00e0 feitura desse projeto. A delicadeza da edi\u00e7\u00e3o, levada at\u00e9 o m\u00ednimo detalhe, foi algo que me tocou profundamente.<\/p>\n<p>Quanto aos bilhetes, meu amigo e escritor Wellington de Melo foi dos primeiros a ler o livro. Apaixonado colecionador de m\u00e1quinas de datilografia, ele deu \u201ccorpo\u201d aos bilhetes e me mandou. Alguns aparecem como imagem mesmo no livro, que tem essa coisa de misturar ep\u00edgrafes, documentos, poemas, letras de can\u00e7\u00f5es da \u00e9poca&#8230; Creio que esse lance seria ainda mais radical se o livro n\u00e3o tivesse sido enviado para um concurso, algo que imp\u00f4s limites \u00e0 formata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Ele foi inscrito em um concurso liter\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Sim. Na verdade, a ideia inicial de escrever um romance teve um motivo bem pr\u00e1tico: conseguir dinheiro para dois outros projetos independentes, livros de poesia que eu tenho prontos e certamente nenhuma editora convencional toparia bancar. Mas <em>Mil novecentos setenta cinco<\/em> e a Marina chegaram como um furac\u00e3o. Mudaram tudo, inclusive meus planos profissionais e liter\u00e1rios.<\/p>\n<div id=\"attachment_2515\" style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2515\" class=\"size-medium wp-image-2515\" src=\"https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1975-208x300.jpg\" alt=\"capa do livro\" width=\"208\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1975-208x300.jpg 208w, https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1975.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 208px) 100vw, 208px\" \/><p id=\"caption-attachment-2515\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Por que os seus livros de poesia in\u00e9ditos n\u00e3o seriam aceitos numa editora convencional?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 S\u00e3o projetos muito experimentais, radicais mesmo. Nem tanto quanto aos poemas, mas no que se refere a quest\u00f5es de autoria, natureza dos paratextos, conceito do objeto livro.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Apesar do ineg\u00e1vel papel pol\u00edtico da obra, <em>Mil novecentos setenta cinco<\/em> buscou evitar o tom panflet\u00e1rio. E, de fato, quase todo o livro evita cair nessa cilada. Mas, no desfecho do romance&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 A\u00ed foi proposital. Ao longo do livro, o leitor perceber\u00e1 que existe mais de uma narradora, que elas mant\u00eam um la\u00e7o de parentesco e s\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es diferentes. Enquanto a maior parte do romance \u00e9 aparentemente contada a partir do ponto de vista da Marina, a parte final possui outra voz, com outro modo de se relacionar com o passado, lutas e textos.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 importante destacar: todas as falas que usei na cena de desenlace, onde um colaborador da ditadura confessa ter tra\u00eddo e levado ex-companheiros \u00e0 morte&#8230; Todas aquelas palavras foram realmente ditas, por figuras reais, em momentos variados de nossa hist\u00f3ria, e com toda desfa\u00e7atez. De um famoso \u201ccabo\u201d ao ex-presidente da Rep\u00fablica \u2014 passando at\u00e9 por um pastor que, no passado, tinha como profiss\u00e3o executar pessoas e levar os corpos para serem queimados na usina de um apoiador do regime.<\/p>\n<p>Se a parte final do livro restou panflet\u00e1ria, \u00e9 porque a realidade ficcionalizada \u2014 a hist\u00f3ria desse nosso pa\u00eds, com tantos apagamentos e contas abertas \u2014 \u00e9 de um absurdo muitas vezes irredut\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 O que voc\u00ea acha do comportamento das esquerdas diante dessa realidade e de como t\u00eam levado isso para o campo das artes? Elas n\u00e3o lhe parecem muito reativas, sempre a reboque das falas e a\u00e7\u00f5es da direita?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Acho que sim. De fato, os setores mais reacion\u00e1rios t\u00eam nos pautado. Precisamos assumir as r\u00e9deas dos discursos, descobrir outros caminhos, fazer da arte um instrumento para superar esse problema de agenda \u2014 como ela j\u00e1 provou diversas vezes que \u00e9 capaz. Mas eu n\u00e3o saberia dizer como. N\u00e3o posso apontar caminhos para terceiros. Apenas evitei (no meu romance) reproduzir o que vejo, por exemplo, nas redes sociais.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Que seria?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Um ambiente onde as pessoas est\u00e3o sempre com pressa e necessidade de ter opini\u00e3o sobre todos os assuntos, de tecer julgamentos sobre qualquer coisa. Apesar de ser uma narrativa curta, um romance com f\u00f4lego de novela, ou mesmo de conto, as urg\u00eancias do <em>Mil novecentos setenta cinco<\/em> s\u00e3o de ordem diferente, buscam justamente n\u00e3o perder de vista as complexas dimens\u00f5es humanas, n\u00e3o lidar de forma rasa com o plano da identidade, dos afetos, traumas.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Voc\u00ea acha que a sociedade brasileira atual n\u00e3o conhece o seu passado, n\u00e3o tem uma vis\u00e3o rigorosa do que aconteceu?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Nunca teve. E temo que a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piore. Eu evito muito ser saudosista, tenho pavor de me transformar num velhinho com respostas para tudo, de come\u00e7ar a dizer que nossa gera\u00e7\u00e3o era melhor nisso e naquilo. Mas acho que algumas coisas s\u00e3o ineg\u00e1veis. Basta entrar nas redes sociais, em canais com perfis os mais diversos, para perceber que as pessoas querem gastar o m\u00ednimo de tempo poss\u00edvel buscando informa\u00e7\u00f5es, e o m\u00e1ximo de horas e energia emitindo opini\u00f5es \u2014 sempre de forma convicta, apaixonada, feroz.<\/p>\n<p>Quantas pessoas hoje em dia, por exemplo, t\u00eam paci\u00eancia e disposi\u00e7\u00e3o para realmente estudar, antes de sair por a\u00ed dando aulas e ditando regras? Quantos desses jovens que vivem na internet dando pitaco sobre Nietzsche, por exemplo, topariam ver \u2014 pelo menos \u2014 uma aula de duas ou tr\u00eas horas no YouTube, na qual o grande professor Roberto Machado fala sobre o eterno retorno?<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o apenas os jovens. Certa vez, levei proposta para um experiente editor aqui da cidade. Era justamente uma entrevista com esse fil\u00f3sofo pernambucano, renomado especialista e um pioneiro difusor no Brasil das obras de Nietzsche, Deleuze, Foucault&#8230; A resposta que tive foi: \u201cO Roberto que conhe\u00e7o \u00e9 Rei; e Machado, o comentarista da Globo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 \u2014 Por que esse t\u00edtulo por extenso e sem a conjun\u00e7\u00e3o \u201ce\u201d? Para n\u00e3o confundir com outro livro de mesmo nome?<\/strong><\/p>\n<p>Cristiano Ramos \u2014 Na verdade, s\u00e3o outras raz\u00f5es. A aus\u00eancia do \u201ce\u201d \u00e9 uma refer\u00eancia aos desaparecidos pol\u00edticos, aos apagamentos de nossa hist\u00f3ria, \u00e0s minorias que ainda sofrem com a invisibilidade. E, dessa forma, o t\u00edtulo tamb\u00e9m deixou de ser mais uma data; passou a funcionar tamb\u00e9m como contagem regressiva. Mil&#8230; novecentos&#8230; setenta&#8230; cinco&#8230;<\/p>\n<p>Contagem essa que jamais terminou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Andr\u00e9 Leit\u00e3o Cristiano Ramos n\u00e3o \u00e9 um estreante. 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