{"id":1639,"date":"2026-04-30T00:05:18","date_gmt":"2026-04-30T03:05:18","guid":{"rendered":"https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/?p=1639"},"modified":"2026-05-25T12:21:57","modified_gmt":"2026-05-25T15:21:57","slug":"chico-cesar-fofo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clientes.jotabosco.com.br\/testes1\/chico-cesar-fofo\/","title":{"rendered":"Chico C\u00e9sar fofo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Cleodon Coelho<\/strong><\/p>\n<p>Nascido em Catol\u00e9 do Rocha, interior da Para\u00edba, Chico C\u00e9sar guarda na mente imagens muito claras da primeira vez que visitou o Recife. Em 1975, ent\u00e3o com 11 anos, ele deu de cara com o vaiv\u00e9m dos carros, \u00f4nibus e pedestres na Conde da Boa Vista, um cen\u00e1rio bem diferente do de sua pacata cidade natal. Neste s\u00e1bado, 2 de maio, ele sobe ao palco do Teatro do Parque, localizado na Rua do Hosp\u00edcio, uma das transversais da movimentada avenida, para a estreia nacional de Fofo, seu novo show, que revela m\u00fasicas compostas quando ele ainda era adolescente. Claro que sucessos marcantes, como \u00c0 Primeira Vista e Mama \u00c1frica, n\u00e3o ser\u00e3o esquecidos. Para falar dessa nova fase, o cantor e compositor concedeu entrevista exclusiva \u00e0 Revista Ara\u00e7\u00e1, em que fala de processo criativo, da admira\u00e7\u00e3o pelo coletivo Reverbo e da influ\u00eancia da capital pernambucana em sua vida. &#8220;Recife estabeleceu um patamar muito alto para mim, no sentido de metr\u00f3pole&#8221;, revela.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; Como nasceu o desejo de revirar o ba\u00fa e reviver essas primeiras composi\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> O desejo de gravar essas m\u00fasicas nasceu durante a minha turn\u00ea de 30 anos do \u00e1lbum Aos Vivos, ano passado. Foram cerca de 70, 75 shows, \u00e0s vezes com orquestra, mas na maioria em voz e viol\u00e3o. E eu fui percebendo que muito da minha express\u00e3o art\u00edstica tem bastante a ver com esse formato de voz e viol\u00e3o. As can\u00e7\u00f5es nascem assim e se forem para o palco ou para o est\u00fadio dessa maneira, estar\u00e3o bem resolvidas. E a\u00ed fiquei pensando: &#8220;E aquelas primeiras can\u00e7\u00f5es dali da fase dos 16 aos 20 anos, ainda na Para\u00edba, antes de ir para o Sudeste?&#8221;. Eu gostaria de gravar essas can\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o can\u00e7\u00f5es com viol\u00e3o complexo, melodias tamb\u00e9m bastante complexas. E se eu n\u00e3o fizesse isso agora, depois de tanto exercitar o formato voz e viol\u00e3o, n\u00e3o sei quando poderia fazer. Porque eu tenho muitas m\u00fasicas novas, um disco semipronto com as m\u00fasicas feitas na pandemia, com as bases j\u00e1 gravadas. Mas achei que era o momento de me colocar em perspectiva, cantando as coisas daquele adolescente, dos 17 aos 20 anos, dialogando com as coisas mais recentes. Ent\u00e3o, dois ter\u00e7os do disco s\u00e3o dessa fase e um ter\u00e7o de coisas mais recentes. E fico muito feliz de poder fazer isso.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; Que sonhos tinha o Chico C\u00e9sar que escreveu essas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> Eu sonhava com a volta da democracia. N\u00f3s viv\u00edamos ainda na \u00e9poca da ditadura quando eu compus estas can\u00e7\u00f5es. Sonhava com um povo livre, que se expressasse com liberdade, que pudesse se experimentar em todos os sentidos. Sonhava com uma cultura que pudesse mudar mesmo a vida das pessoas. Uma cultura praticada e vivida por Paulo Leminski, por Nicolas Behr, por Cacaso, tantos poetas incr\u00edveis. Era com isso que eu sonhava basicamente.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; O viol\u00e3o sempre esteve presente em sua vida?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> O viol\u00e3o est\u00e1 na minha vida desde os 13 anos de idade. E dele nunca me separei. Gosto de tocar outros instrumentos, como viola de dez cordas, de 12 cordas, \u00e0s vezes guitarra el\u00e9trica. Mas o viol\u00e3o, para quem o abra\u00e7a e \u00e9 abra\u00e7ado por ele t\u00e3o cedo, n\u00e3o \u00e9 apenas um instrumento de trabalho. \u00c9 um instrumento de afirma\u00e7\u00e3o pessoal, de um jeito de estar na vida. E as can\u00e7\u00f5es nascem nele, n\u00e9? O viol\u00e3o brasileiro vem de Baden Powell, de Garoto, de Gilberto Gil, Jo\u00e3o Bosco, Djavan, Guinga, Elomar, Lenine&#8230; Isso \u00e9 muito marcante, \u00e9 um jeito de nos expressarmos. Eu estava num Grammy em Los Angeles e todos os latinos, como Celia Cruz, grupos mexicanos, grupos colombianos, estavam se apresentando fazendo um som com suas estrid\u00eancias. M\u00fasica alta para dan\u00e7ar, para pegar pelo corpo e tal. E de repente o Djavan entrou representando o Brasil e cantou Faltando um Peda\u00e7o sozinho ao viol\u00e3o. Aquilo foi t\u00e3o bonito e t\u00e3o significativo, dizendo tanto do que \u00e9 o nosso territ\u00f3rio, do que n\u00f3s somos feitos. O viol\u00e3o brasileiro \u00e9 incr\u00edvel. \u00c9 um jeito de ser.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; Nos \u00faltimos anos, voc\u00ea se dedicou a projetos diversos, como o \u00e1lbum e turn\u00ea Ao Arrepio da Lei, com Zeca Baleiro, os j\u00e1 citados 30 anos do \u00e1lbum Aos Vivos&#8230; E agora revela essas can\u00e7\u00f5es. O que voc\u00ea ainda sonha fazer?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> Ah, eu quero passar mais 30 anos no palco lan\u00e7ando quantos \u00e1lbuns forem necess\u00e1rios. \u00c1lbuns inspirados, que me coloquem em di\u00e1logo com minha \u00e9poca. Quando eu digo minha \u00e9poca quero dizer toda \u00e9poca em que eu estiver presente. Quero levar para o palco esses sentimentos que afloram e se tornam can\u00e7\u00f5es. Quero circular com meus \u00eddolos, como Geraldo Azevedo, meus parceiros, como Zeca Baleiro, quero ver surgir gente nova, que nos desafie e que traga o bafo do novo no nosso canga\u00e7o e que diga: &#8220;Pessoal, vamos l\u00e1, anda a\u00ed, pedala que n\u00f3s estamos chegando&#8221;. Eu acho lindo isso.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; H\u00e1 algum artista que voc\u00ea ainda sonhe em fazer um feat, um \u00e1lbum ou uma turn\u00ea?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> Eu sou artisticamente muito prom\u00edscuo, eu gosto de fazer colabora\u00e7\u00f5es com artistas diversos. Gostaria de fazer uma colabora\u00e7\u00e3o mais intensa com a Lia de Itamarac\u00e1, por exemplo, com Ave Sangria, com quase todas as pessoas do Reverbo, com o pessoal da Banda de Pau e Corda, com o pessoal do Quinteto Violado&#8230; Gostaria que, em algum momento, Lenine, Zeca Baleiro, Paulinho Moska, Marco Suzano e eu nos reun\u00edssemos outra vez no palco. Acho que os cinco juntos no palco renderiam um bom \u00e1lbum, uma boa turn\u00ea. E eu n\u00e3o digo que isso rende pensando nos ganhos financeiros, eu falo artisticamente. Acho que a minha gera\u00e7\u00e3o tem muita for\u00e7a. E obviamente isso n\u00e3o se resume a n\u00f3s cinco. Tem artistas incr\u00edveis como Z\u00e9lia Duncan, Pedro Lu\u00eds, Fernanda Abreu, Da\u00fade, V\u00edtor Ramil. N\u00f3s conseguimos romper com coisas estabelecidas, um espa\u00e7o que de certo modo parecia muito ocupado pelas coisas que j\u00e1 existiam. E eu estou falando da brilhant\u00edssima gera\u00e7\u00e3o de Chico Buarque, Edu Lobo, Dori Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, M\u00edlton Nascimento, a gera\u00e7\u00e3o posterior com Alceu Valen\u00e7a, Fagner Ednardo, Belchior, Elba Ramalho, Z\u00e9 Ramalho, Jo\u00e3o Bosco, Jards Macal\u00e9, Luiz Melodia&#8230; E a coisa do rock&#8217;n&#8217;roll que veio depois de tudo isso, o rock nacional, fazia parecer que n\u00e3o havia lugar para uma can\u00e7\u00e3o brasileira outra vez. Mas na verdade n\u00e3o, esse espa\u00e7o esperava por n\u00f3s. A nossa gera\u00e7\u00e3o provou, sim, que h\u00e1 lugar para a can\u00e7\u00e3o sempre, coisa que o Reverbo fez tamb\u00e9m, depois do movimento avassalador, positivamente avassalador, que foi o manguebeat. Eu acho lindo esse lugar que a can\u00e7\u00e3o pode ocupar.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; O show do novo disco estreia no Recife. Que la\u00e7os voc\u00ea tem com a cidade?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> Recife \u00e9 a primeira metr\u00f3pole que eu conheci. Quando tinha 11 anos, o meu patr\u00e3o, Onildo Azevedo Lins, dono da loja Lunik, me colocou dentro do caminh\u00e3o da Ant\u00e1rtica, que vinha abastecer ali em Olinda, meio na divisa Olinda-Recife, e disse: &#8220;Vai pegar mercadoria&#8221;. Ou seja, livros e discos. Ent\u00e3o eu vim na Livro 7, na Editora \u00c1tica, na Aky Discos. Foi uma aventura. Um garoto de 11 anos, entrando nesses estabelecimentos comerciais, os adultos olhavam para mim assombrados, e a minha guia era uma prima desse patr\u00e3o. Eu olhava para a Conde da Boa Vista, essas ruas movimentad\u00edssimas, cheias de gente. Um garoto de Catol\u00e9 do Rocha, que nunca tinha andado sozinho nem em Jo\u00e3o Pessoa. A minha liga\u00e7\u00e3o com Recife vem da\u00ed. De certo modo, eu tenho medo do Recife at\u00e9 hoje. Na verdade, \u00e9 mais respeito que medo, mas \u00e9 um respeito um pouco assombroso, vamos dizer assim. E eu n\u00e3o tenho medo de nenhuma outra metr\u00f3pole. Nem de T\u00f3quio, nem de Berlim, nem de Nova York, nem de Londres, nem de Mil\u00e3o. Mas eu olho para Londres e digo: &#8220;Rapaz, te aquieta, eu conhe\u00e7o o Recife&#8221;. Ou falo: &#8220;T\u00f3quio o qu\u00ea? Eu j\u00e1 estive l\u00e1 no Recife&#8221;. Recife estabeleceu um patamar muito alto para mim, no sentido de metr\u00f3pole. Eu era muito garoto, ent\u00e3o isso me faz ter um olhar bastante altaneiro para as outras metr\u00f3poles. Quando cheguei em S\u00e3o Paulo, pensei: &#8220;S\u00e3o Paulo n\u00e3o me assusta nada. Eu j\u00e1 conhe\u00e7o o Recife&#8221;. Ent\u00e3o, eu acho que foi uma vacina. E, ao mesmo tempo, um gosto, um afeto respeitoso. Eu prefiro as cidades grandes, talvez, porque conheci o Recife t\u00e3o jovem, t\u00e3o garoto. E eu tenho outros v\u00ednculos. Fui aluno do grande Jomard Muniz de Britto na Universidade Federal da Para\u00edba, quando fiz o curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social. Ele que me apresentou Roland Barthes (professor franc\u00eas) e v\u00e1rias outras coisas interessant\u00edssimas. Tenho liga\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica de Pernambuco desde Luiz Gonzaga. que \u00e9 o rei de todos n\u00f3s, com a m\u00fasica de Alceu Valen\u00e7a, de Geraldo Azevedo, do Quinteto Violado, da Banda de Pau e Corda, que eu ouvia muito l\u00e1 em Catol\u00e9 do Rocha, a m\u00fasica de Azul\u00e3o, que est\u00e1 sempre em mim. A liga\u00e7\u00e3o cultural com Pernambuco, com Recife, \u00e9 muito forte. E \u00e9 muito alvissareiro para mim escolher a cidade para lan\u00e7ar um disco novo, que praticamente ningu\u00e9m conhece porque ainda nem chegou direito ao p\u00fablico, mas eu me sinto muito confiante e eu gosto disso.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; Voc\u00ea atravessou modelos diferentes da ind\u00fastria cultural. Esteve em pequenas e grandes gravadoras e viu o nascimento do mercado digital. Que li\u00e7\u00f5es voc\u00ea tirou de todas essas viv\u00eancias?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> Olha, os mercados s\u00e3o como se fossem, vamos dizer assim, rios diferentes. Ou \u00e0s vezes o mesmo rio que vai mudando o curso, n\u00e9? A li\u00e7\u00e3o que eu tiro \u00e9 a seguinte: muda o tempo, o mundo vira, mas eu s\u00f3 tenho esse barco que sou eu mesmo, que \u00e9 o meu corpo, que \u00e9 a minha express\u00e3o. Muda o mercado e eu mudo do meu jeito. Mudo porque eu nasci para mudar. N\u00f3s artistas somos mutantes. N\u00e3o apenas Rita Lee e os irm\u00e3os Baptista eram Mutantes. N\u00f3s todos somos mutantes, mas n\u00f3s n\u00e3o mudamos para nos acomodarmos \u00e0s mudan\u00e7as dos mercados. N\u00f3s somos as mudan\u00e7as est\u00e9ticas, art\u00edsticas, \u00e9ticas&#8230; E o mercado que se vire, n\u00e9? E eu acho que quando voc\u00ea come\u00e7a como eu comecei, com um disco que desafiava os modelos do mercado ent\u00e3o existente, e eu comecei com Aos Vivos, gravado ao vivo, voz e viol\u00e3o, no momento em que o caminho era come\u00e7ar com um disco bem feito de est\u00fadio, produzido por um produtor mais ou menos conhecido, que agregasse valor e tal&#8230; Eu comecei sozinho. Por que n\u00e3o? Eu n\u00e3o tinha dinheiro nem para pagar produtor nem para pagar est\u00fadio e acho que isso foi muito afirmativo. Eu disse para mim mesmo: &#8220;Olha rapaz, \u00e9 voc\u00ea sozinho com esse viol\u00e3o, voc\u00ea com a sua m\u00fasica, voc\u00ea com a sua express\u00e3o&#8221;. E eu acho que isso vale para todos os artistas: n\u00e3o importa por onde isso vai circular, n\u00e3o importa qual seja o rio, o importante \u00e9 que voc\u00ea seja o seu barco e que o seu corpo, a sua alma e o seu esp\u00edrito naveguem com liberdade.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; Como voc\u00ea v\u00ea o movimento musical atual? Que artistas lhe chamam aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> Dona Onete, Lia de Itamarac\u00e1, Tom Z\u00e9 s\u00e3o artistas jovens que me chamam bastante aten\u00e7\u00e3o. E por que eu digo jovens? Porque eles se mant\u00eam inquietos, mesmo com tanta idade se mant\u00eam altivos, e eu acho que isso \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o incr\u00edvel. Para mim, que estou numa faixa intermedi\u00e1ria, com 62 anos, e para os jovens artistas, eles s\u00e3o muito emblem\u00e1ticos no sentido de mostrar que o mais importante \u00e9 fazer o que se gosta. N\u00e3o tem a ver com idade, n\u00e3o tem a ver com novidade, n\u00e3o tem a ver com cidade, tem a ver com postura. E isso \u00e9 muito legal. E, l\u00f3gico, estou atento aos artistas novos. E a\u00ed eu cito mais uma vez o Reverbo. Esse movimento de artistas, cantores, m\u00fasicos, capitaneado no Recife por Juliano Holanda, Alm\u00e9rio, Flaira Ferro, Martins, serve de exemplo para que outros tamb\u00e9m fa\u00e7am. Acho que vale a pena citar Seu Pereira, meu conterr\u00e2neo, um compositor incr\u00edvel, que canta bem, as m\u00fasicas dele se comunicam imediatamente com o Brasil inteiro, ele tem p\u00fablico em S\u00e3o Paulo, Bel\u00e9m do Par\u00e1, Belo Horizonte, Rio de Janeiro&#8230; E entre aqueles primeiros jovens artistas que eu citei (Dona Onete, Lia de Itamarac\u00e1 e Tom Z\u00e9) tamb\u00e9m coloco outra conterr\u00e2nea, C\u00e1tia de Fran\u00e7a, que est\u00e1 vivendo uma nova adolesc\u00eancia. A nov\u00edssima C\u00e1tia de Fran\u00e7a \u00e9 maravilhosa. Eu fico muito feliz com esse movimento em torno dela, com a juventude abra\u00e7ando a sua m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; E o que o p\u00fablico pode esperar desse novo espet\u00e1culo?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> \u00c9 dif\u00edcil assim dizer o que o p\u00fablico pode esperar porque \u00e9 tudo ainda muito novo, mesmo para mim. Muitas can\u00e7\u00f5es t\u00eam mais de 40 anos, 45 anos, e eu acho interessante ver o p\u00fablico sair de casa para escutar m\u00fasicas &#8220;novelhas&#8221;, que s\u00e3o novas e que s\u00e3o velhas. Quem est\u00e1 em cena \u00e9 o cara que voc\u00ea se acostumou a acompanhar desde o Aos Vivos at\u00e9 o Estado de Poesia, mas de repente ele aparece com algo que n\u00e3o est\u00e1 nesse per\u00edodo em que voc\u00ea o acompanhou. E isso pode ser chocante, pode at\u00e9 ser decepcionante tamb\u00e9m. A pessoa pensa: &#8220;Poxa, era assim que o cara era e tal&#8230;&#8221;. Mas eu acho que \u00e9 legal colocar em perspectiva, porque as m\u00fasicas daquele momento j\u00e1 dialogam com m\u00fasicas de agora. E no show ainda mais, com outras can\u00e7\u00f5es que j\u00e1 fazem parte do imagin\u00e1rio das pessoas, como Mama \u00c1frica, \u00c0 Primeira Vista, Onde Estar\u00e1 o Meu Amor, Deus Me Proteja. Tudo isso est\u00e1 no show, s\u00f3 que em perspectiva, conversando com esse artista ainda em forma\u00e7\u00e3o. Eu me acostumei a admirar artistas inquietos, que buscam coisas dentro de si mesmos. A beleza \u00e0s vezes nem est\u00e1 no acabamento, est\u00e1 na procura.<\/p>\n<p><strong>Revista Ara\u00e7\u00e1 &#8211; O que Chico C\u00e9sar tem de &#8220;fofo&#8221;?<\/strong><br \/>\n<strong>Chico &#8211;<\/strong> Acho que o que eu tenho de mais fofo em mim \u00e9 a vontade de n\u00e3o ser fofo. Acho que isso \u00e9 muito fofo em mim (risos).<\/p>\n<p><span class=\"servico\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<h5>SERVI\u00c7O<\/h5>\n<hr>\n<p><span class=\"servico\"><strong>Show &#8220;Fofo&#8221;, de Chico C\u00e9sar<\/strong><br \/>\nTeatro do Parque, 20h (Rua do Hosp\u00edcio, 81, Boa Vista)<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> (81) 99488.6833<br \/>\n<strong>Ingressos \u00e0 venda via Sympla:<\/strong><br \/>\nR$ 200 e R$ 100 (meia)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cleodon Coelho Nascido em Catol\u00e9 do Rocha, interior da Para\u00edba, Chico C\u00e9sar guarda na mente imagens muito claras da primeira vez que visitou o Recife. 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